Banco de Brasília (BRB) envia ao Banco Central plano para reforçar capital em R$ 5 bilhões

Banco público do DF busca reforçar capital após compras de crédito ligadas ao Banco Master

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Última atualização:  06 de fev, 2026 às 08:21
Fachada de prédio corporativo com logotipo do Banco BRB no topo, vista entre galhos e folhas de árvores. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) entrega ao Banco Central nesta sexta-feira (6) um plano para reforçar seu balanço em pelo menos R$ 5 bilhões. A exigência veio após o banco público, controlado pelo governo do Distrito Federal, comprar carteiras de crédito ligadas ao Banco Master, o que aumentou o risco dos ativos da instituição.

A proposta tem como foco fortalecer a situação financeira do BRB, reduzir a exposição a créditos considerados problemáticos e garantir o cumprimento das regras do sistema financeiro. Se o plano for aprovado pelo Banco Central, as medidas terão de ser colocadas em prática em até seis meses.

De acordo com informações já divulgadas pelo próprio banco, o documento reúne diferentes alternativas para recompor o capital. O valor final a ser alcançado vai depender da combinação das ações escolhidas e do resultado da venda de ativos que já está em andamento.

Venda de carteiras e redução de risco

Uma das principais frentes do plano é a venda de todas as carteiras de crédito adquiridas do Banco Master, que somam cerca de R$ 21,9 bilhões. A ideia é diminuir a necessidade de aportes diretos e melhorar a qualidade dos ativos registrados no balanço.

Parte dessas carteiras passou a ser questionada depois que o Banco Central identificou indícios de inconsistências em cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos transferidos. Diante disso, o Master apresentou outros ativos em substituição, que agora estão sendo colocados à venda no mercado.

Segundo o BRB, o processo de alienação começou no fim de janeiro e conta com o apoio de uma empresa especializada. A remuneração dessa empresa está ligada ao sucesso das operações de venda.

Alternativas em análise

Além da venda das carteiras, o plano enviado ao Banco Central inclui outras opções para reforçar o capital do banco. Entre elas estão um repasse direto de recursos pelo Tesouro do Distrito Federal e a contratação de linhas de financiamento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Também estão em análise a tomada de empréstimos com um consórcio de bancos, a transferência de participações em empresas estatais e a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo do DF como garantia.

Impacto fiscal e político

Como o governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, com cerca de 72% do capital, qualquer medida que envolva recursos públicos ou patrimônio do governo pode depender de aval da Câmara Legislativa do DF.

O governador Ibaneis Rocha já afirmou publicamente que está disposto a apoiar soluções para garantir a estabilidade do banco.

Técnicos e especialistas avaliam que não há risco imediato de quebra do BRB, justamente por causa do apoio do controlador. Mesmo assim, o reforço de capital é considerado importante para manter a confiança do mercado e evitar novos questionamentos sobre a saúde financeira da instituição.

Panorama do Banco Master

A necessidade de recompor o balanço do BRB está ligada às operações feitas com o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro após enfrentar uma grave crise de liquidez.

Investigações apontam que parte das carteiras revendidas ao BRB teria sido comprada pelo Master por valores bem menores e sem pagamento efetivo aos vendedores originais.

O caso segue sob análise das autoridades, enquanto o Banco Central acompanha de perto as medidas adotadas pelo BRB para reforçar seu balanço e reduzir riscos.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.