Ascensão do Thermas dos Laranjais: como o resort fatura 240 milhões por ano

De clube local a um dos maiores parques aquáticos do mundo, conheça o Thermas de Laranjais e entenda o seu faturamento anual

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01 de jan, 2026 às 09:00
Área infantil do Thermas dos Laranjais com brinquedos aquáticos coloridos, escorregadores e estruturas interativas para crianças. Imagem: Divulgação/Thermas dos Laranjais

O Brasil abriga um dos maiores parques aquáticos do mundo, e ele não está em uma capital nem em um destino turístico tradicional. Localizado em Olímpia, no interior de São Paulo, o Thermas dos Laranjais se consolidou como o segundo parque aquático mais visitado do planeta, recebendo cerca de 2 milhões de visitantes por ano e gerando um faturamento anual próximo de R$ 240 milhões.

O que começou como um clube social regional, nos anos 1980, se transformou em uma operação de escala internacional, capaz de competir com grandes complexos de lazer da Ásia, Europa e Estados Unidos.

Essa trajetória não aconteceu por acaso. Ela é resultado de decisões estratégicas, reinvestimento constante, controle financeiro e uma leitura cuidadosa do comportamento do consumidor.

Mais do que um caso de sucesso no turismo, o Thermas dos Laranjais se tornou um exemplo de como planejamento, inovação contínua e crescimento sustentável podem mudar a economia de uma cidade inteira. Saiba mais no Melhor Investimento!

De parque regional a potência global

Fundado em 1987, o Thermas dos Laranjais nasceu em um contexto bem diferente do atual. Olímpia, naquela época, tinha menos de 20 mil habitantes e dependia basicamente da citricultura. A cidade não figurava nos roteiros turísticos e tampouco era vista como um polo de lazer.

A virada começou com a descoberta de águas termais na região. Esse diferencial natural permitiu criar piscinas aquecidas de forma contínua, algo raro no Brasil naquele momento. A partir daí, o que era apenas um clube social passou a ganhar características de parque aquático.

No início, os recursos eram limitados. Muitas soluções foram criadas dentro do próprio parque, desde a fabricação de boias até adaptações em brinquedos. O foco não estava em luxo ou grandiosidade, mas em oferecer experiências diferentes daquelas que existiam no país.

Com o passar dos anos, o parque foi crescendo de forma gradual, sempre financiado com capital próprio. Não houve entrada de grandes investidores externos nem movimentos bruscos de expansão. Essa postura conservadora ajudou a construir uma base sólida para o crescimento futuro.

Os pilares da ascensão do Thermas dos Laranjais

O crescimento do Thermas dos Laranjais se apoia em alguns pilares bem definidos, que ajudam a explicar como o parque chegou ao patamar atual.

O primeiro deles é a inovação constante. A direção do parque adotou, desde cedo, a lógica de que o público precisa de novidades para voltar. Isso significa apresentar novas atrações com frequência, reformar áreas antigas e criar experiências que despertem curiosidade.

Outro pilar importante é o controle financeiro rigoroso. Durante muitos anos, o parque operou sem recorrer a financiamentos agressivos. Os investimentos eram feitos com base no caixa gerado pela própria operação, evitando endividamento excessivo.

Há também o envolvimento direto dos gestores no dia a dia do negócio. Grande parte das obras e projetos foi pensada internamente, com equipes próprias, o que reduziu custos e aumentou o controle sobre prazos e qualidade.

Por fim, o parque sempre manteve uma relação cuidadosa com o visitante, evitando práticas comuns em destinos turísticos, como preços elevados dentro do complexo. A estratégia é simples: oferecer uma boa experiência para estimular o retorno.

Vista aérea do parque aquático Thermas dos Laranjais, com piscinas cristalinas, boias coloridas e muitas palmeiras.
Imagem: Divulgação/Thermas dos Laranjais

Por que o Thermas dos Laranjais é o 2º maior do mundo?

O título de segundo parque aquático mais visitado do mundo não vem apenas do tamanho físico do Thermas dos Laranjais, mas principalmente do volume de visitantes. Com cerca de 2 milhões de pessoas por ano, o parque fica atrás apenas do Chimelong Water Park, na China.

Esse desempenho é resultado de uma combinação de fatores. Um deles é a localização estratégica. Olímpia está no interior paulista, relativamente próxima de grandes centros urbanos como São Paulo, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Isso facilita viagens curtas, especialmente para famílias.

Outro ponto-chave é o clima. As águas naturalmente quentes permitem que o parque funcione o ano todo, sem depender exclusivamente do verão. Isso reduz a sazonalidade e ajuda a manter a operação equilibrada ao longo dos meses.

Além disso, o parque conta hoje com mais de 60 atrações ativas, atendendo públicos de diferentes idades. Há desde áreas tranquilas para descanso até brinquedos de alta intensidade, o que amplia o perfil de visitantes.

Faturamento de R$ 240 milhões: como ele é gerado?

O faturamento anual estimado em R$ 240 milhões não vem de uma única fonte. A principal receita do Thermas dos Laranjais é a venda de ingressos, responsável pela maior parte do caixa.

No entanto, o parque também gera receita com alimentação, lojas, serviços internos e eventos especiais. Mesmo com pontos de venda terceirizados, há controle sobre preços e padronização, garantindo margem sem afastar o consumidor.

Outro fator importante é a recorrência de visitas. Muitas famílias retornam ao parque mais de uma vez, atraídas pelas novidades constantes. Esse comportamento reduz a dependência de campanhas agressivas de marketing e cria uma base fiel de público.

O modelo financeiro é reforçado pela política de reinvestimento. Uma parte significativa da receita volta para o próprio parque, seja em novas atrações, reformas ou compra de terrenos para expansão futura.

Investimentos contínuos e grandes obras

Um dos marcos mais recentes da estratégia de crescimento é o complexo de toboáguas “Nações”, considerado um dos maiores do mundo. O projeto recebeu investimento de cerca de R$ 60 milhões e reúne múltiplas experiências em uma única estrutura.

A aposta em obras de grande porte segue uma lógica clara: gerar impacto suficiente para atrair novos visitantes e estimular o retorno de quem já conhece o parque.

Mesmo que apenas uma parcela do público vá motivada pela novidade, o volume já é suficiente para compensar o investimento.

Além disso, o parque já adquiriu uma área significativamente maior que a atual e planeja construir um segundo parque nos próximos anos. O investimento total previsto até o fim da década supera R$ 300 milhões.

Vista aérea dos toboáguas radicais do Thermas dos Laranjais, com escorregadores coloridos e atrações de alta adrenalina.
Imagem: Divulgação/Thermas dos Laranjais

Como a pandemia virou uma lição de gestão

A pandemia de Covid-19 representou um dos maiores desafios da história do Thermas dos Laranjais. O parque ficou fechado por cerca de oito meses, com a receita praticamente zerada.

Ainda assim, a decisão foi manter todos os funcionários. A estratégia envolveu o uso do caixa acumulado, suspensão temporária de pagamentos a fornecedores e foco total na preservação da equipe.

Esse período trouxe aprendizados importantes. A gestão passou a ter uma visão ainda mais detalhada dos custos diários da operação e reforçou práticas de controle financeiro. Após a reabertura, a recuperação foi rápida, e as pendências foram regularizadas em pouco tempo.

Impacto econômico e relevância para investidores

O crescimento do Thermas dos Laranjais transformou completamente Olímpia. A cidade deixou de ser conhecida pela produção agrícola e passou a se posicionar como um dos principais destinos turísticos do país.

Hotéis, restaurantes, comércio e serviços se desenvolveram ao redor do parque. Hoje, o turismo é o principal motor da economia local, gerando empregos diretos e indiretos durante todo o ano.

Para investidores, o caso chama atenção por mostrar que negócios de lazer, quando bem geridos, podem ter alto retorno, baixo nível de inadimplência e forte geração de caixa.

O modelo adotado pelo Thermas dos Laranjais combina crescimento com prudência, algo valorizado em cenários econômicos mais instáveis.

Um crescimento sem euforia

Mesmo com números expressivos, a gestão do parque evita discursos triunfalistas. O crescimento é tratado como resultado de decisões consistentes ao longo de décadas, e não como um golpe de sorte.

A lógica segue sendo a mesma: crescer com cuidado, investir no que faz sentido para o público e manter os pés no chão. Foi essa postura que transformou um clube regional em um dos maiores parques aquáticos do mundo.

Em Olímpia, o Thermas dos Laranjais não é apenas um ponto turístico. Ele se tornou um símbolo de como planejamento, inovação e disciplina podem gerar impacto econômico duradouro, dentro e fora da água.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.